Rodrigo Matheus da Silva Brito
Caracterização morfométrica e análise do uso e ocupação da terra em áreas de nascentes no semiárido alagoano.
Resumo
Este trabalho realiza a caracterização física e do uso e ocupação da terra na sub-bacia hidrográfica do Riacho das Águas Mortas, localizada no município de Olho D’Água do Casado, no Semiárido alagoano, além de diagnosticar a qualidade ambiental de suas nascentes e analisar o regime pluviométrico local. A bacia integra a região hídrica do Rio São Francisco e atua como tributária do Riacho Talhado, tendo papel relevante na histórica do município. A metodologia contemplou a delimitação automática da bacia a partir do Modelo Digital de Terreno ANADem (30 m) para a extração de parâmetros morfométricos lineares, areais e de relevo; a aplicação do Índice de Impacto Ambiental em Nascentes (IIAN) e do Protocolo de Avaliação Ambiental de Nascentes (PAAN) via modelo Estado-Pressão-Resposta; a avaliação temporal (1985 a 2024) do uso e cobertura da terra com dados da Coleção 10 do MapBiomas; e a análise espacial e sazonal da precipitação pluvial a partir de dados da plataforma WorldClim/Ambdata. Os resultados morfométricos indicaram uma bacia de 3ª ordem, com área de 42,7 km², perímetro de 30,31 km, densidade de drenagem regular (0,91 km/km²) e textura de drenagem muito grossa (0,80). Os índices de forma (Kf = 0,36, Re = 0,67, Ic = 0,58 e Kc = 1,29) e a declividade média de 5,6% (com 54,9% de relevo plano) caracterizam uma bacia alongada, de baixa energia e com menor propensão a enchentes em condições normais. A integral hipsométrica de 0,34 reflete um estágio avançado de denudação. O regime pluviométrico apresentou média anual de 586 mm, concentrado entre março e julho e marcado por chuvas orográficas mal distribuídas no espaço. A análise multitemporal revelou o predomínio contínuo da classe de pastagem (> 50% da área), associada ao histórico da pecuária extensiva, embora com tendência de redução recente que permitiu a regeneração da Caatinga (passando de 12,53 km² em 1985 para 16,11 km² em 2024) e o avanço gradual da área urbana. A avaliação in loco de nascente pontual e perene (N01) evidenciou um estado de degradação ambiental acentuado, resultando no pior nível de qualidade (combinação 111 no PAAN) devido ao soterramento do ponto de exfiltração, descaracterização da APP, livre acesso de animais/humanos e ausência de programas de preservação ou governança municipal. Conclui-se que as restrições litológicas, pedológicas e climáticas limitam o potencial hídrico da bacia, exigindo ações de planejamento territorial e conservação ambiental para a salvaguarda dos mananciais remanescentes no Semiárido.
