Clarisse Epifanio Ramos
O CIRCUITO INFERIOR DA ECONOMIA URBANA: UMA ANÁLISE DAS ATIVIDADES DOS TRABALHADORES AMBULANTES DA PRAIA DO FRANCÊS, ALAGOAS
Resumo
Esta pesquisa em andamento investiga o circuito inferior da economia urbana na Praia do Francês, em Marechal Deodoro, Alagoas, com foco nas atividades dos trabalhadores ambulantes inseridos na oferta turística informal local. Fundamentado na teoria dos circuitos da economia urbana de Milton Santos, a abordagem teórica diferencia o Circuito Inferior, caracterizado por informalidade, baixo investimento e trabalho intensivo, do Circuito Superior, mais estruturado e moderno. A pesquisa parte do reconhecimento de que esses trabalhadores desempenham papel relevante na dinâmica econômica e na experiência turística local, mesmo enfrentando condições precárias de trabalho, insegurança social, e conflitos com o mercado formal e o poder público, num processo marcado por desigualdades na apropriação do território da praia e áreas adjacências. O problema central pesquisa consiste em compreender como os trabalhadores ambulantes da Praia do Francês se inserem territorialmente em um contexto de oferta turística local, analisando suas estratégias de ocupação e uso do território, como parte do circuito inferior da economia, incluindo renda, condições de trabalho, produtos e serviços oferecidos, segurança social e tecnologia envolvida. O objetivo geral é analisar as estratégias de territorialização desses trabalhadores no contexto da oferta turística informal, buscando identificar quem são, como atuam e quais os principais desafios envolvidos em sua inserção na praia. A metodologia empregada é natureza qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas, entrevistas semiestruturadas com atores sociais relacionados ao turismo local, além de observação direta, registro fotográfico e análise documentos oficiais do poder público municipal. Os resultados parciais indicam que há aproximadamente 700 vendedores ambulantes gravitando na Praia do Francês. Foi constatada também valorização imobiliária da terra, pressão por reordenamento urbano, e imposição de normas de uso, que impactam diretamente a permanência e a mobilidade dos trabalhadores ambulantes na praia. Também foram identificadas tensões entre os próprios vendedores ambulantes do lugar, com base em concorrência e uso do território. Esses resultados parciais indicam desafios para um desenvolvimento turístico local em que os vendedores ambulantes estejam integrados à oferta turística local da Praia do Francês.
